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Manejo alimentar da tilápia: a regra dos 15 minutos e a conversão
Resposta rápida: Ração é o maior custo da piscicultura, e ração sobrando vira amônia e lodo. Use a regra dos 15 minutos: ofereça o que o lote come nesse tempo e ajuste a quantidade pela sobra. Peixe pequeno se alimenta perto da saciedade; acima de 150 a 200 g, alimente de forma restrita, a 80 a 90% do consumo máximo, para melhorar a conversão. Não alimente de madrugada nem com a água ruim.
A ração decide o lucro e a água
Toda ração que entra no viveiro sai de duas formas: como carne de peixe ou como fezes, amônia e lodo. Quanto melhor o manejo alimentar, mais ração vira carne e menos vira problema de água.
A regra dos 15 minutos
Fernando Kubitza (Panorama da Aqüicultura, 2006) recomenda ajustar a oferta pelo comportamento do peixe e não só pela tabela: ofereça a quantidade que o lote consome em cerca de 15 minutos. Se sobra, reduza na próxima refeição; se acaba rápido, aumente aos poucos. Ração extrusada, que boia, é o que permite ver a sobra.
Um ponto que muita gente inverte: quanto mais perto do consumo máximo, maior o crescimento e pior a conversão. Para tilápias até 20 a 30 g, busque crescimento. Acima de 150 a 200 g, quando o lote come muito, priorize a conversão e alimente a 80 a 90% do máximo.
Quanto e com que ração
Referência para tilápia em tanque-rede ou sistema intensivo (Kubitza, 2006)
| Fase | Ração | Quantidade por dia | Refeições |
|---|---|---|---|
| Recria | 32% de proteína, péletes de 3 a 4 mm | 5 a 3% do peso vivo | 3 a 2 |
| Terminação | 32% de proteína, pélete conforme o tamanho do peixe | 3 a 2% do peso vivo | até 2 |
Kubitza também observa que trocar a ração de 32% por uma de 28% para economizar na terminação raramente compensa: a diferença de preço é pequena e o peixe cresce menos, converte pior e acumula mais gordura.
Em viveiro de terra com água verde, o plâncton pode responder por 50 a 70% do crescimento da tilápia, segundo o mesmo autor. Água bem manejada é alimento.
Quando não dar ração
A cartilha da Embrapa Pesca e Aquicultura sobre manejo alimentar (2013) reúne cuidados que evitam prejuízo:
- Não alimentar nas primeiras horas do dia (5h às 6h), quando o oxigênio está no mínimo. Espere as 8h ou 9h.
- Reduzir a ração depois de vários dias nublados e em mudanças bruscas de temperatura.
- Suspender a ração quando a transparência da água estiver abaixo de 20 cm ou o peixe estiver boquejando.
- Não alimentar 24 horas antes e 24 horas depois de transporte, despesca ou manuseio.
- Distribuir a ração em vários pontos do viveiro, e não num canto só.
- Trocar de ração aos poucos e descartar ração úmida ou mofada.
Kubitza acrescenta: evite alimentar no fim da tarde, para o peixe não entrar na madrugada de barriga cheia, quando o oxigênio cai.
Como calcular a conversão alimentar
Conversão alimentar = ração consumida no período ÷ ganho de peso no período. No exemplo da Embrapa: 1.000 peixes passaram de 140 kg para 290 kg de biomassa em 30 dias (ganho de 150 kg) com 210 kg de ração. A conversão foi 210 ÷ 150 = 1,4, ou seja, 1,4 kg de ração para cada quilo de peixe.
Anote ração e mortalidade toda semana. Conversão piorando sem mudar a ração quase sempre é água ruim: o peixe come, mas não converte.
Ração e água andam juntas
As doses da linha Biotecnal são calculadas pela ração do dia, justamente porque a ração é a carga que entra na água. O BACTRAT P vai a 0,2 g por kg de ração por dia e o NUTRAT AQUA PLUS a 1 mL por kg de ração por dia. A calculadora faz a conta para o seu viveiro.
Perguntas frequentes
Qual a regra dos 15 minutos?
Ofereça a quantidade de ração que o lote consome em cerca de 15 minutos e ajuste a próxima refeição pela sobra.
Qual o melhor horário para tratar a tilápia?
Depois que o sol esquenta a água e o oxigênio sobe, a partir das 8h ou 9h. Evite a madrugada e o fim da tarde.
Como calcular a conversão alimentar?
Divida a ração consumida no período pelo ganho de peso do lote no mesmo período. 210 kg de ração para 150 kg de ganho dão conversão de 1,4.
Vale a pena usar ração de 28% na terminação?
Em geral não. A economia é pequena e o peixe cresce menos, converte pior e acumula mais gordura.
Fontes
- Kubitza, F. (2006). Ajustes na nutrição e alimentação das tilápias. Panorama da Aqüicultura, nov./dez. 2006, p. 14–24
- Lima, A. F. et al. (2013). Manejo alimentar: piscicultura familiar. Embrapa Pesca e Aquicultura, Palmas/TO
- El-Sayed, A.-F. M. (2006). Tilapia Culture. CABI Publishing
- Biotecnal (2025): Guia Prático Aquicultura de Resultado e boletins técnicos da linha Aqua


